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Ex-parceiro que não aceita o fim: Taiza Tosatt Eleoterio aborda o medo da insistência e como apoiar a mulher 

Helena Nordvik
Helena Nordvik 28 de setembro de 2023
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Taiza Tosatt Eleoterio
Taiza Tosatt Eleoterio

Como lembra Taiza Tosatt Eleoterio, profissional com atuação em apoio a mulheres e famílias em situação de vulnerabilidade, encerrar uma relação é um direito de qualquer pessoa, e esse direito não deveria vir acompanhado de medo. Mesmo assim, muitas mulheres relatam que, depois do fim, o ex-parceiro continua presente por meio de mensagens, ligações e aparições inesperadas, como se a separação não tivesse acontecido.

Essa insistência costuma gerar susto, cansaço e uma sensação difícil de explicar: a de que a relação terminou no papel, mas não na vida diária. Entender como esse comportamento se forma, por que ele assusta e como pessoas próximas e a comunidade podem apoiar ajuda a tratar o assunto com seriedade, sem julgar a mulher e sem minimizar o que ela sente.

Quando o fim da relação não é aceito

Nem todo término é vivido da mesma forma pelos dois lados. Em algumas relações, uma das pessoas aceita o fim com dor e segue em frente. Em outras, a pessoa que não concorda com a separação passa a tentar reverter a decisão de maneira insistente, com pedidos, promessas, cobranças ou ameaças veladas.

Taiza Tosatt Eleoterio esclarece que a insistência, quando ignora o desejo claro de quem decidiu terminar, deixa de ser sinal de amor e passa a ser falta de respeito ao limite do outro. Em um relacionamento abusivo, esse comportamento costuma ser a continuação de um padrão que já existia antes da separação.

Mensagens, ligações e aparições: como a insistência aparece?

A insistência pode assumir muitas formas. Há mensagens em horários inesperados, ligações repetidas, recados enviados por amigos ou familiares e aparições na porta de casa, no trabalho ou na escola dos filhos. Algumas vêm em tom carinhoso, outras em tom de cobrança, e muitas alternam os dois.

Esse vaivém confunde. Quando o ex-parceiro pede desculpas em um dia e fica irritado no outro, a mulher passa a viver em estado de alerta, sem saber o que esperar. Essa alternância lembra o ciclo da violência, em que momentos de calma e de tensão se sucedem e dificultam a percepção do que realmente está acontecendo.

O medo e a sensação de estar sendo vigiada

Quando alguém que já exerceu controle durante a relação continua tentando contato depois do fim, é natural que a mulher sinta medo. A sensação de estar sendo vigiada altera a rotina: ela evita certos caminhos, desconfia de números desconhecidos e pensa duas vezes antes de sair de casa.

No entendimento de Taiza Tosatt Eleoterio, esse medo não é exagero nem fragilidade. É uma resposta compreensível a uma situação que ameaça a sensação de segurança. Nesse contexto, a saúde mental de quem vive esse cenário merece atenção, e o apoio de pessoas de confiança faz diferença.

Culpa e dúvida: o que a mulher sente?

Além do medo, é comum que a mulher sinta culpa e dúvida. Ela se pergunta se foi dura demais, se deveria responder, se está exagerando ao se preocupar. Parte dessas perguntas vem de anos de convivência em que suas percepções eram colocadas em questão, o que ainda hoje pesa na forma como ela interpreta o que acontece.

A dúvida também pode vir de fora. Frases como “ele só está arrependido” ou “dê uma chance” podem aumentar a confusão. A mulher que decidiu terminar a relação, ressalta Taiza Tosatt Eleoterio, não precisa justificar essa decisão nem provar que ela é correta, porque o limite que ela colocou deve ser respeitado.

Como pessoas próximas e a comunidade podem apoiar?

Quem está por perto pode ajudar de várias formas. Ouvir sem julgar, acreditar no que a mulher conta e evitar frases que a pressionem a decidir de outro jeito já fazem diferença. Também ajuda a estar presente em momentos de tensão, acompanhando e oferecendo companhia.

Taiza Tosatt Eleoterio destaca que a rede de apoio comunitário tem um papel importante nesses casos. Vizinhos, amigos, colegas, grupos de mulheres e instituições que acolhem ajudam a diminuir o isolamento e a lembrar que ninguém precisa enfrentar essa situação em silêncio. Em casos de violência doméstica, procurar os serviços de proteção e acolhimento disponíveis é um passo de cuidado.

O direito de encerrar uma relação

Encerrar uma relação é um direito, e a decisão de quem termina deve ser respeitada. A insistência depois do fim não é prova de amor: é um comportamento que gera medo e merece atenção, sobretudo quando se repete.

Taiza Tosatt Eleoterio reforça que acolher a mulher nesse momento significa acreditar nela, respeitar o tempo dela e oferecer apoio sem cobranças. Quando ela encontra escuta, informação e pessoas que a acolhem, a sensação de insegurança diminui e ela retoma, aos poucos, o controle da própria vida.

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