O Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, elucida que, entre os sistemas de laje disponíveis no mercado nacional, a laje nervurada treliçada mantém posição de ampla predominância nas obras residenciais brasileiras, e há razões técnicas e econômicas sólidas para isso. Nos últimos anos, surgiram alternativas industrializadas que prometem maior velocidade de execução ou menor peso próprio, mas nenhuma delas conseguiu substituir de forma generalizada o desempenho consolidado desse sistema em edificações de até cinco pavimentos. Compreender os fundamentos dessa tecnologia ajuda construtores e projetistas a aproveitá-la com maior precisão e resultado.
A laje nervurada treliçada é formada pela associação de vigotas pré-moldadas, que contêm a treliça de aço e o concreto de base, com elementos de enchimento e uma capa de concreto concretada in loco. A treliça metálica cumpre duas funções simultâneas: garante a rigidez da vigota durante o transporte e a montagem e atua como armadura de ligação entre a vigota e a capa de compressão, formando uma peça composta com comportamento estrutural eficiente. Esse princípio construtivo, desenvolvido e aprimorado ao longo de décadas, explica a durabilidade e a confiabilidade do sistema em diferentes contextos de obra.
Vantagens que sustentam a preferência do mercado
A combinação de custo acessível, facilidade de execução e bom desempenho estrutural é o que mantém a laje nervurada treliçada como primeira escolha em grande parte das obras residenciais. Conforme informa o Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, o sistema dispensa o uso de formas convencionais de madeira em toda a extensão da laje, reduzindo o consumo desse material e simplificando o processo de escoramento. As vigotas e os elementos de enchimento podem ser adquiridos de fabricantes locais, o que facilita a logística de entrega e reduz os custos de frete em comparação com sistemas industrializados de maior complexidade.
Do ponto de vista do desempenho, a laje nervurada treliçada oferece boa capacidade portante para os carregamentos típicos de edificações residenciais, resistência satisfatória à deformação sob carga e compatibilidade com sistemas de instalações elétricas e hidráulicas embutidas. A versatilidade do sistema permite sua aplicação em lajes de cobertura, lajes entre pavimentos e lajes de forro, adaptando-se às diferentes demandas de cada projeto sem exigir mudanças significativas no processo executivo.

Erros comuns na execução e como evitá-los
Apesar da consolidação do sistema, erros de execução ainda comprometem o desempenho de lajes nervuradas treliçadas em muitas obras. De acordo com o Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, os problemas mais recorrentes incluem o espaçamento incorreto entre os pontaletes de escoramento, a concretagem da capa com espessura abaixo do especificado em projeto, a ausência de armadura de distribuição transversal e o desencaixe das vigotas durante a concretagem por falta de travamento adequado. Cada um desses erros pode gerar fissuras, deformações excessivas ou redução da capacidade de carga da laje ao longo do tempo.
A prevenção desses problemas começa com a leitura cuidadosa do projeto estrutural e a capacitação da equipe de execução. A supervisão técnica durante a fase de montagem e concretagem da laje é indispensável, especialmente em obras conduzidas por equipes sem experiência prévia com o sistema, e o investimento nessa orientação representa uma fração mínima do custo total da laje, mas evita problemas de difícil correção após o endurecimento do concreto.
Inovações que aprimoram o sistema sem substituí-lo
A indústria de artefatos de cimento tem investido em melhorias incrementais que ampliam o desempenho da laje nervurada treliçada sem alterar sua lógica construtiva básica. Sob o entendimento do Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, avanços como o uso de aços de maior resistência nas treliças, o desenvolvimento de vigotas com maior capacidade de vão e a produção de elementos de enchimento com menor peso próprio contribuem para ampliar as possibilidades de aplicação do sistema e torná-lo ainda mais competitivo frente a outras soluções disponíveis no mercado.
Fica claro, assim, que a laje nervurada treliçada persiste como referência na construção residencial brasileira não por inércia do mercado, mas por reunir atributos técnicos e econômicos difíceis de superar em conjunto.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez