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Política

Tarifaço de Trump chega a 37,5% sobre o Brasil, e governo brasileiro promete resposta

Helena Nordvik
Helena Nordvik 14 de agosto de 2026
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Nova rodada de tarifas dos Estados Unidos atinge 60 parceiros comerciais sob justificativa de combate ao trabalho forçado, e o Brasil já articula uso da Lei de Reciprocidade

Passados poucos meses do primeiro tarifaço anunciado por Donald Trump contra produtos brasileiros, uma nova medida entrou em vigor e elevou ainda mais a taxação total sobre as exportações do país aos Estados Unidos. A pergunta que fica para quem acompanha o noticiário é inevitável: até onde vai essa escalada, e o que o Brasil pode realmente fazer diante dela?

Uma nova onda de tarifas, com justificativa inédita

Diferente da primeira leva de tarifas, ligada a questões políticas e judiciais internas do Brasil, essa nova rodada tem outro fundamento. Comandada pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a medida se apoia em investigações da Seção 301 e é apresentada como resposta a práticas ligadas ao uso de trabalho forçado em cadeias globais de suprimentos. Um integrante do alto escalão do governo americano chegou a classificar a decisão como a ação de direitos trabalhistas mais abrangente já tomada por qualquer país na história. seudinheiro

As novas taxas, que variam entre 10% e 12,5%, passaram a valer para 60 parceiros comerciais responsáveis por 99,4% de todo o comércio de importação dos Estados Unidos, substituindo uma tarifa global temporária de 10% que estava em vigor. O Brasil está entre os países atingidos pela alíquota adicional mais alta. seudinheiro

Como fica o total cobrado sobre os produtos brasileiros

O impacto direto sobre o Brasil chama atenção pelo tamanho. Como o país entrou na lista das nações sujeitas à alíquota adicional de 12,5%, a taxação total sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos passou a somar 37,5%, resultado da soma com o tarifaço anterior de 25% já em vigor. Trata-se de um patamar que encarece de forma significativa a competitividade de setores inteiros da indústria e do agronegócio nacional no mercado americano. seudinheiro

Nem todos os produtos, porém, foram atingidos da mesma forma. O governo americano abriu exceções para itens da Seção 232, como aço e alumínio, que não sofrem taxação acumulada, além de matérias-primas cuja tributação poderia gerar desabastecimento interno nos Estados Unidos e bens agrícolas que o país não produz em quantidade suficiente. seudinheiro

A resposta do governo brasileiro veio rápido

Do lado brasileiro, a reação não demorou. Cerca de meia hora depois do anúncio, o Brasil rechaçou oficialmente a decisão americana, acusando o USTR de manipular um tema sensível, os direitos humanos e a luta histórica dos trabalhadores, para mascarar a falta de base legal interna para suas políticas protecionistas. O Ministério do Trabalho e Emprego destacou que já havia fornecido ampla documentação ao governo americano comprovando a eficácia da legislação nacional no combate ao trabalho escravo. seudinheiro

O governo também lembrou o histórico do país nesse campo. O Brasil é signatário de 66 convenções em vigor da Organização Internacional do Trabalho, contra apenas dez ratificadas pelos Estados Unidos, e cumpriu todos os quatro instrumentos fundamentais da OIT sobre trabalho forçado, enquanto os americanos ratificaram só um deles. Além disso, o país tipifica como crime não apenas o trabalho forçado, mas também jornadas exaustivas e condições degradantes de trabalho, mantendo publicamente uma lista de empregadores infratores. seudinheiro

O Brasil aciona seus próprios instrumentos legais

A resposta brasileira não ficou só no discurso. O país anunciou que vai iniciar imediatamente os trâmites para aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e também levará a disputa ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio. Essa legislação permite ao governo brasileiro adotar contramedidas equivalentes contra países que imponham barreiras ou tarifas consideradas injustificadas. seudinheiro

O contexto político por trás dessa escalada também pesa. Analistas de mercado avaliam que, embora o impacto direto da tarifa seja relativamente estreito, já que incide sobre uma fatia específica das exportações brasileiras e conta com isenções que reduzem o efeito real, o sinal político preocupa mais do que os números isolados, por se tratar da segunda tentativa de Trump em pouco mais de um ano de usar tarifas como instrumento de pressão contra o Brasil. SpaceMoney

O episódio se soma a uma relação bilateral já desgastada e reforça a percepção de que o comércio entre os dois países entrou em uma fase de instabilidade estrutural, não apenas conjuntural. Enquanto o processo na OMC segue seu curso, esperado para levar meses, o efeito prático já se faz sentir em setores exportadores que dependem do mercado americano. Para o consumidor e o empresário brasileiro, a lição prática é acompanhar de perto os próximos capítulos dessa disputa, já que qualquer nova medida, seja dos Estados Unidos, seja como resposta brasileira, tende a repercutir diretamente no câmbio e no custo de produtos importados e exportados.

https://www.seudinheiro.com/2026/internacional/brasil-vai-dar-o-troco-em-trump-apos-nova-tarifa-que-pega-60-paises-em-cheio-ccgg/
https://www.spacemoney.com.br/politica/tarifa-trump-eleicao-brasil-2026-impacto

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