O Office of the Comptroller of the Currency (OCC), órgão responsável pela supervisão de bancos nacionais nos Estados Unidos, concedeu em 2 de setembro de 2026 aprovação preliminar condicional para a criação do Revolut Bank US, N.A. A instituição terá sede prevista em Stamford, no estado de Connecticut, e deverá funcionar sem agências físicas.
A decisão representa um avanço para a fintech britânica Revolut, mas não equivale a uma autorização definitiva para o início das operações. Antes de atender clientes como banco nacional, a empresa terá de cumprir uma série de exigências regulatórias, obter o seguro de depósitos da Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) e conseguir a aprovação relacionada ao Federal Reserve.
Revolut busca ampliar atuação no mercado americano
O banco proposto será controlado pela Revolut Holdings US, Inc., subsidiária do grupo Revolut. De acordo com o documento do OCC, a instituição pretende oferecer contas de depósito, crédito, pagamentos, serviços de gestão financeira, custódia de ativos digitais e transferências internacionais por meio de um aplicativo próprio.
Atualmente, a Revolut atende clientes nos Estados Unidos com o apoio de bancos parceiros, que fornecem a infraestrutura regulada para serviços como cartões pré-pagos, crédito e pagamentos. A criação de uma instituição própria poderá reduzir a dependência desse modelo e permitir uma oferta mais ampla de produtos, embora o plano apresentado não signifique que todas as modalidades estarão disponíveis imediatamente.
Com a eventual aprovação final, a Revolut passará a assumir diretamente funções típicas de uma instituição bancária nacional. Isso também exigirá uma estrutura compatível com regras de capital, segurança cibernética, prevenção à lavagem de dinheiro, gestão de riscos e controles de conformidade aplicáveis ao sistema bancário americano.
Autorização exige capital e estrutura operacional
Entre as condições estabelecidas pelo OCC está a exigência de capital inicial pago de pelo menos US$ 95 milhões. A instituição também deverá manter, durante os três primeiros anos de operação, um índice mínimo de alavancagem Tier 1 de 10%, parâmetro destinado a reforçar a capacidade do banco de absorver perdas e sustentar suas atividades.
O processo de abertura dependerá ainda de uma avaliação prévia. A Revolut terá de comprovar que dispõe de sistemas de segurança, políticas de gestão de riscos, controles de conformidade e estrutura operacional adequados aos serviços previstos. Mudanças relevantes no plano de negócios deverão ser comunicadas antecipadamente ao regulador.
A aprovação também prevê autorização específica para determinadas atividades. Entre elas estão operações de câmbio de varejo, serviços de adquirência para comerciantes e atuação como correspondente bancário internacional. Essas exigências permitem ao OCC avaliar de forma separada operações que podem envolver riscos adicionais ou maior complexidade regulatória.
Ativos digitais fazem parte do plano
O projeto inclui serviços relacionados a ativos digitais, inclusive o uso de stablecoins em remessas internacionais. A stablecoin associada à marca Revolut, porém, não seria emitida pelo banco proposto, nem teria suas reservas administradas por ele. Segundo o documento, a participação da instituição ficaria restrita à divulgação, ao acesso dos clientes e à custódia por meio de uma afiliada.
A previsão apresentada ao regulador é que a receita com serviços de ativos digitais represente menos de 2% da receita total do banco durante os três primeiros anos do projeto. O dado indica que essa frente teria participação limitada na fase inicial, enquanto depósitos, pagamentos, crédito e transferências internacionais formariam o núcleo da operação planejada.
Próximas etapas antes do início das atividades
Em comunicado divulgado em 3 de setembro de 2026, a Revolut informou sobre a aprovação condicional recebida nos Estados Unidos. A empresa ainda precisará concluir as etapas exigidas pelos órgãos reguladores e demonstrar que está preparada para iniciar as operações com segurança.
O OCC poderá modificar, suspender ou cancelar a autorização caso ocorram mudanças relevantes nas informações apresentadas pela empresa. Por isso, a decisão de setembro deve ser entendida como uma autorização preliminar para avançar na formação do banco, e não como uma licença bancária definitiva.
O caso mostra o movimento de fintechs internacionais em direção a estruturas bancárias próprias nos Estados Unidos. Ao buscar uma licença nacional, a Revolut pretende ampliar o controle sobre sua oferta de serviços financeiros, mas também ficará sujeita a uma supervisão prudencial mais abrangente. Para consumidores e empresas, os efeitos concretos dependerão da conclusão do processo e dos produtos que forem efetivamente autorizados e lançados.