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Política

Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor e afeta US$ 7,2 bilhões em exportações

Helena Nordvik
Helena Nordvik 28 de julho de 2026
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Medida da administração Trump atinge 2.375 produtos brasileiros, incluindo açúcar, etanol e pneus, mas poupa itens como café e carne bovina.

Uma nova tarifa de importação de 25% sobre produtos brasileiros, imposta pelo governo dos Estados Unidos, entrou em vigor no fim de julho, atingindo 2.375 produtos que representaram US$ 7,2 bilhões em exportações brasileiras em 2025. Segundo dados da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), esse valor corresponde a 19,2% de todas as exportações do país no período analisado.

Medida tem origem em investigação comercial

A medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, após uma investigação aberta em julho de 2025 contra práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil. Entre os produtos atingidos pela nova sobretaxa estão o açúcar, o etanol, pneus de veículos e partes de motores, itens que têm peso relevante em determinados setores da indústria e do agronegócio brasileiro.

Especialistas avaliam impacto menor que o do ano passado

Apesar do impacto, especialistas ouvidos pela imprensa avaliam que o efeito da tarifa atual tende a ser menor do que o observado no ano passado, quando a sobretaxa chegou a 50% sobre a maioria dos produtos brasileiros. Segundo Julia Gottlieb, economista do Itaú Unibanco, mesmo somando o risco de uma tarifa adicional de 12,5% ligada a acusações de trabalho forçado, a tarifa efetiva média sobre o Brasil deve ficar próxima de 20%, abaixo dos cerca de 30% registrados no segundo semestre do ano passado.

Exportadores já buscam novos mercados

Um dado relevante levantado pela economista é que, mesmo diante da tarifa anterior de 50%, o Brasil já demonstrou capacidade de realocar parte de seus fluxos de exportação para outros mercados, o que ajudou a evitar uma queda expressiva no volume total exportado, mesmo com a retração das vendas especificamente para os Estados Unidos. Esse tipo de reação do setor exportador tende a se repetir agora, na tentativa de mitigar os efeitos da nova tarifa de 25%.

Governo brasileiro acompanha os desdobramentos

Do ponto de vista político, a medida eleva a tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, já que o governo brasileiro classificou a tarifa como injustificada e iniciou reuniões com entidades industriais para discutir planos de mitigação econômica para os setores mais afetados. Segundo reportagens do período, o Brasil não descarta acionar a Organização Mundial do Comércio nem aplicar medidas de reciprocidade previstas na legislação nacional, ainda que a via diplomática siga como caminho prioritário buscado pelo país.

Alguns setores foram preservados da sobretaxa

Entre os setores mais impactados pela sobretaxa estão eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, autopeças e calçados, segmentos que já vinham enfrentando pressão de competitividade em outros mercados internacionais. Produtos estratégicos da pauta de exportações brasileira, como café, carne bovina, suco de laranja e peças aeronáuticas, foram preservados da cobrança adicional, o que reduz parcialmente o impacto sobre alguns dos principais itens exportados pelo país.

Empresas precisam adaptar estratégias comerciais

Para empresas exportadoras brasileiras, esse tipo de medida costuma exigir ajustes rápidos de estratégia comercial, seja pela busca de novos mercados consumidores, seja pela renegociação de contratos já firmados com compradores americanos. O setor produtivo nacional já sinaliza preocupação com riscos de retração nas vendas externas, possível cancelamento de investimentos e impacto no emprego dos segmentos diretamente afetados pela sobretaxa.

Próximas negociações serão decisivas

Para o consumidor brasileiro, o efeito mais indireto costuma aparecer no médio prazo, caso a retração das exportações para os Estados Unidos pressione o câmbio ou reduza a atividade em setores exportadores específicos, com reflexos sobre emprego e renda em determinadas regiões do país. O desenrolar das negociações entre os dois governos nas próximas semanas deve ser decisivo para definir se a tarifa atual se mantém no patamar de 25% ou se sofre novos ajustes ao longo do segundo semestre de 2026.

Fontes:
https://exame.com/mundo/novas-tarifas-dos-eua-ao-brasil-de-25-entram-em-vigor/
https://www.reporterpb.com.br/noticia/internacional/2026/07/22/tarifaco-de-25-dos-eua-sobre-produtos-brasileiros-entra-em-vigor-e-acende-alerta-na-industria/190031.html

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