As principais agências reguladoras bancárias dos Estados Unidos abriram, em 11 de setembro de 2026, consulta pública sobre uma proposta de orientação para o gerenciamento de riscos relacionados a empresas terceirizadas por bancos e cooperativas de crédito. A iniciativa envolve a Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), o Federal Reserve, a National Credit Union Administration (NCUA) e o Office of the Comptroller of the Currency (OCC).
O objetivo é estabelecer uma abordagem comum e baseada no risco para a supervisão de fornecedores externos. Pela proposta, os controles adotados por cada instituição devem considerar fatores como a relevância do serviço contratado, a complexidade da relação e o potencial de dano para o banco, seus clientes e a continuidade das operações. O anúncio foi feito pelo Office of the Comptroller of the Currency.
Proposta busca substituir orientações existentes
As agências pretendem substituir as orientações atualmente existentes por um novo padrão interagências. A mudança busca tornar a supervisão mais consistente entre os diferentes reguladores federais, sem exigir necessariamente o mesmo nível de controle para todos os contratos e fornecedores.
Segundo o comunicado, a futura orientação também deverá permitir inovação prudente no setor bancário. A intenção é que os bancos consigam utilizar novas tecnologias e serviços especializados sem deixar de avaliar os riscos operacionais, de segurança e de continuidade associados a essas relações.
A proposta ainda não tem caráter obrigatório. O período para o envio de comentários será de 60 dias após a publicação do texto no Federal Register. Até o encerramento da consulta e a eventual adoção de uma orientação definitiva, as instituições financeiras continuam sujeitas às regras e aos procedimentos de supervisão já aplicáveis.
Serviços de tecnologia estão no centro da avaliação
Os bancos dependem de uma ampla rede de empresas externas para executar atividades essenciais. Entre os serviços que podem ser afetados pela discussão estão plataformas de computação em nuvem, processamento de pagamentos, sistemas de cartões, ferramentas de prevenção a fraudes, análise de crédito e infraestrutura para aplicativos e canais digitais.
Uma falha em qualquer desses serviços pode interromper operações que os clientes utilizam diariamente, como pagamentos, abertura e movimentação de contas e acesso a sistemas bancários. Por isso, a gestão de riscos de terceiros em bancos envolve não apenas a análise do contrato, mas também o acompanhamento da capacidade do fornecedor, dos controles de segurança e dos planos para manter o serviço em funcionamento.
A abordagem proposta não significa que todo fornecedor deva ser tratado como crítico. A avaliação deverá levar em conta a importância da atividade para a instituição e as possíveis consequências de uma interrupção, falha operacional ou problema de segurança. Quanto maior o impacto potencial, mais abrangentes tendem a ser os controles e o monitoramento.
Impactos para bancos comunitários
Além da proposta de orientação, os reguladores divulgaram uma declaração específica sobre a relação de bancos comunitários com provedores essenciais de serviços. O documento indica que os supervisores considerarão determinados fatores ao avaliar as práticas de fiscalização e a eventual adoção de medidas contra instituições que utilizam esses fornecedores.
O tema é especialmente relevante para bancos comunitários porque essas instituições podem contar com menos recursos internos para realizar auditorias, acompanhar contratos e monitorar prestadores especializados. Ao mesmo tempo, a dependência de empresas externas pode ser maior em áreas como tecnologia, processamento de transações e segurança digital.
Uma avaliação proporcional ao risco pode reduzir exigências excessivas em relações de menor impacto. Porém, também exige que o banco identifique corretamente quais fornecedores são essenciais, registre os riscos envolvidos e demonstre que possui mecanismos para acompanhar a prestação do serviço.
Supervisão baseada no risco ganha espaço
A iniciativa ocorre em um ambiente no qual a operação bancária está cada vez mais apoiada em infraestruturas digitais e empresas especializadas. Para os reguladores, o desafio é equilibrar a necessidade de controles robustos com a possibilidade de inovação e eficiência operacional.
A página de comunicados de tecnologia bancária do OCC registra, na mesma data, os documentos relacionados à proposta de gestão de riscos de terceiros e à supervisão baseada no risco de serviços prestados por fornecedores essenciais.
Para consumidores e empresas, o resultado da consulta poderá influenciar a forma como os bancos administram contratos de tecnologia e respondem a falhas em serviços terceirizados. A proposta, no entanto, ainda está em fase de análise pública e não representa uma regra definitiva. O próximo passo será a apresentação de comentários dentro do prazo previsto após a publicação no Federal Register.