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Eurosistema lança plataforma para liquidar ativos tokenizados em dinheiro de banco central

Redação Banco Americano
Redação Banco Americano 26 de setembro de 2026
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Escultura do euro diante de arranha-céus no distrito financeiro de Frankfurt, na Alemanha

O Eurosistema, formado pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelos bancos centrais dos países que adotam o euro, lançou em 21 de setembro de 2026 a plataforma Pontes. A iniciativa foi criada para conectar infraestruturas de mercado baseadas em tecnologia de registro distribuído, conhecida pela sigla DLT, aos serviços TARGET do Eurosistema.

O objetivo é permitir que transações de atacado com ativos tokenizados sejam liquidadas em dinheiro de banco central. Esse mecanismo é considerado pelo Eurosistema um ativo de liquidação sem risco de crédito da instituição privada emissora, o que pode oferecer maior segurança e previsibilidade para operações financeiras registradas em redes DLT.

Segundo o Banco Central Europeu, a Pontes será implementada de forma gradual. A plataforma deverá incorporar novas funcionalidades e ampliar seu horário de operação ao longo do tempo, com expectativa de implantação completa até 2028.

Como funcionará a plataforma Pontes

A Pontes atuará como uma conexão entre infraestruturas de mercado que utilizam DLT e os serviços TARGET, conjunto de sistemas operados pelo Eurosistema para a liquidação de pagamentos e operações financeiras. Na prática, a plataforma busca aproximar registros digitais de ativos dos mecanismos tradicionais de liquidação em moeda de banco central.

A tokenização consiste em representar digitalmente ativos financeiros em uma rede de registro distribuído. O processo pode envolver títulos e outros instrumentos financeiros, mas a existência de um registro digital não resolve, por si só, como essas operações serão liquidadas. A Pontes foi desenvolvida justamente para tratar dessa etapa da infraestrutura de mercado.

Entre os participantes iniciais citados pelo BCE estão bancos, instituições públicas, operadores de infraestruturas de mercado e plataformas baseadas em DLT. Deutsche Bank, Santander, Société Générale, Clearstream e o Banco Europeu de Investimento aparecem entre as instituições envolvidas na fase inicial.

Por que o dinheiro de banco central é relevante

Em uma transação financeira, a liquidação é o momento em que ocorre a transferência definitiva do ativo e do dinheiro correspondente. Quando o pagamento é realizado em dinheiro de banco central, a operação utiliza um ativo emitido pelo próprio banco central, em vez de depender exclusivamente do dinheiro de uma instituição privada.

Essa característica é especialmente relevante para o mercado de atacado, no qual bancos, governos, empresas públicas, investidores institucionais e operadores de infraestrutura realizam transações de maior porte. A proposta do Eurosistema é permitir que esses participantes explorem os benefícios da tokenização sem abandonar uma forma de liquidação apoiada pela infraestrutura pública dos bancos centrais.

A Pontes não representa o lançamento de uma nova moeda digital para consumidores. A plataforma está voltada principalmente à liquidação de operações institucionais envolvendo ativos financeiros tokenizados. Também não se trata de uma criptomoeda ou de uma stablecoin: o foco está na infraestrutura que conecta mercados digitais ao dinheiro de banco central.

BCE prepara investimentos em títulos tokenizados

No mesmo dia do anúncio da Pontes, o BCE informou que iniciou os preparativos para investir uma pequena parcela de seus recursos próprios em títulos tokenizados. Conforme a comunicação oficial do Banco Central Europeu, a liquidação dessas compras será realizada por meio da nova plataforma.

As operações deverão se concentrar inicialmente em ativos denominados em euro emitidos por governos da zona do euro, governos regionais, agências públicas e instituições supranacionais. A medida coloca o próprio BCE como usuário da infraestrutura que está sendo desenvolvida para ampliar a integração entre ativos tokenizados e os serviços de liquidação do Eurosistema.

O investimento anunciado não significa uma mudança na política monetária nem a criação de um programa amplo de compras para ativos digitais. Trata-se, de acordo com as informações divulgadas, de uma pequena parcela dos recursos próprios do BCE e de uma aplicação inicial em categorias específicas de títulos.

Pontes integra estratégia de longo prazo

A plataforma faz parte de um movimento mais amplo do Eurosistema para modernizar a infraestrutura financeira europeia. A iniciativa de longo prazo chamada Appia pretende desenvolver, até 2028, um modelo integrado para um ecossistema financeiro baseado em tokenização e DLT.

Enquanto a Appia representa uma visão estrutural para o mercado financeiro digital europeu, a Pontes corresponde à frente operacional de curto prazo. Sua implementação progressiva permitirá incorporar participantes, funcionalidades e períodos maiores de funcionamento antes da conclusão prevista para 2028.

O avanço mostra que a discussão sobre ativos tokenizados está se deslocando da fase de testes de emissão para questões práticas de negociação, custódia e liquidação. Para bancos, bolsas, custodiante e emissores de títulos, a conexão com o dinheiro de banco central pode ser um elemento importante para avaliar a adoção dessa tecnologia em operações financeiras.

As informações sobre o funcionamento da plataforma estão reunidas na página oficial da Pontes. A expansão prevista, porém, será gradual, e a implantação completa dependerá da incorporação de novas funcionalidades e participantes ao longo dos próximos anos.

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