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Banco Central prevê desaceleração do crédito e crescimento menor da economia em 2026 e 2027

Redação Banco Americano
Redação Banco Americano 25 de setembro de 2026
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Close de um documento de cartão de crédito com uma tabela de taxas de juros sobre uma mesa de madeira.

O Banco Central prevê que a economia brasileira continuará perdendo ritmo nos próximos anos, em um cenário marcado por juros elevados, inflação acima da meta e menor expansão do crédito. A avaliação consta da edição do terceiro trimestre do Relatório de Política Monetária (RPM), divulgado em 24 de setembro de 2026.

Segundo o documento, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 1,8% em 2026 e 1,4% em 2027. As projeções representam uma desaceleração em relação às expansões de 3,4% registradas em 2024 e de 2,3% em 2025. Para o Banco Central, a perda de velocidade se tornou mais disseminada e alcança diferentes componentes da atividade econômica.

Juros elevados limitam a expansão do crédito

O ambiente de política monetária restritiva tende a reduzir o ritmo das operações bancárias, sobretudo nas modalidades de prazo mais longo. O crédito é afetado porque o custo de captação e de financiamento permanece elevado, o que pode dificultar a contratação de empréstimos e financiamentos por consumidores e empresas.

A ata da 281ª reunião do Copom, realizada em 15 e 16 de setembro de 2026 e publicada em 22 de setembro, registra que as operações de crédito com recursos livres já apresentam sinais de desaceleração. Nessa categoria, as condições são definidas de forma mais direta pelas instituições financeiras, e o desempenho pode refletir tanto a menor demanda quanto uma postura mais seletiva na concessão.

O movimento, porém, não ocorre de maneira uniforme em todas as linhas. De acordo com a ata, modalidades de crédito direcionado, como o financiamento imobiliário e operações destinadas a empresas com apoio de fundos garantidores, continuam avançando. A diferença indica que a composição das carteiras bancárias também é relevante para entender o comportamento do mercado de crédito.

Inflação permanece acima da meta

O relatório estima inflação de 4,9% em 2026, acima da meta central de 3%. O Banco Central também aponta que as expectativas permanecem desancoradas, elemento que dificulta a convergência dos preços para o objetivo definido pela política monetária.

Quando a inflação projetada se mantém acima da meta e as expectativas não estão alinhadas ao objetivo oficial, a política monetária tende a permanecer mais restritiva por mais tempo. Esse contexto afeta as decisões de consumo e investimento, além de influenciar o custo do crédito para famílias, empresas e instituições financeiras.

Para os consumidores, a combinação pode pesar na contratação de empréstimos, financiamentos e outras operações bancárias, principalmente nas linhas de prazo mais longo. Para as empresas, o ambiente exige maior atenção ao custo de capital de giro e às condições para financiar investimentos. O relatório, contudo, não apresenta uma recomendação individual de contratação ou não de crédito.

Atividade perde força em diferentes setores

A avaliação do Banco Central é que a desaceleração da economia ocorre de forma disseminada. Indústria, serviços, consumo e investimentos aparecem entre as áreas afetadas pela perda de velocidade, o que reforça a perspectiva de crescimento mais moderado em 2026 e 2027.

Esse cenário também pode alterar a dinâmica do sistema bancário. Com menor atividade econômica e custo de financiamento elevado, a demanda por novas operações pode perder força. Ao mesmo tempo, bancos podem avaliar com mais cautela o risco associado aos tomadores, especialmente em modalidades que envolvem prazos maiores ou maior sensibilidade à renda e ao desempenho empresarial.

A leitura conjunta do RPM e da ata do Copom mostra que o crédito continua disponível em diferentes segmentos, mas apresenta ritmos distintos. Enquanto o crédito com recursos livres dá sinais de perda de impulso, linhas direcionadas seguem avançando, sustentadas por características próprias e por mecanismos específicos de apoio.

Projeções indicam crescimento mais moderado

As projeções para o PIB sinalizam uma economia menos dinâmica depois do crescimento observado em 2024 e 2025. A estimativa de 1,8% para 2026 e de 1,4% para 2027 incorpora o efeito de condições financeiras mais restritivas e da desaceleração observada na atividade.

O Banco Central acompanha a evolução do crédito, da inflação e da atividade como parte da avaliação das condições econômicas brasileiras. Para bancos, empresas e consumidores, os dados reforçam a importância de observar não apenas a taxa de juros, mas também a disponibilidade, o prazo e o custo total das diferentes modalidades de financiamento.

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