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Aprenda com Ernesto Kenji Igarashi a dominar suas emoções em situações tensas através do treinamento operacional  

Helena Nordvik
Helena Nordvik 27 de maio de 2026
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Ernesto Kenji Igarashi
Ernesto Kenji Igarashi

Falar sobre controle emocional em ambientes de pressão costuma evocar respostas genéricas sobre respiração e foco mental. Ernesto Kenji Igarashi, ex-coordenador da equipe tática da Polícia Federal durante a visita do presidente americano George Bush, destaca que a realidade operacional é mais complexa e mais interessante do que qualquer fórmula simplificada consegue descrever. Profissionais treinados para atuar em situações críticas passam por um processo de condicionamento que vai muito além da técnica: é um trabalho profundo de reprogramação das respostas automáticas do organismo diante do perigo. 

Continue lendo, para saber mais!

O que acontece no corpo quando o perigo é real?

A resposta fisiológica ao perigo é evolutiva e involuntária. O sistema nervoso simpático ativa o estado de alerta em milissegundos: adrenalina e cortisol inundam a corrente sanguínea, a frequência cardíaca sobe, os músculos recebem sangue adicional e a percepção de dor diminui temporariamente. Segundo Ernesto Kenji Igarashi, esse conjunto de reações foi decisivo para a sobrevivência humana ao longo de milênios, mas em contextos operacionais modernos pode comprometer a tomada de decisão se não for adequadamente gerenciado.

O problema não é a ativação do estado de alerta, mas o que ocorre quando essa ativação supera determinado limiar. Em frequências cardíacas muito elevadas, habilidades motoras finas se deterioram, o campo de visão se estreita e o raciocínio complexo fica comprometido. Atirar com precisão, comunicar com clareza e avaliar ameaças com discernimento são tarefas que exigem que o operador mantenha o estado de alerta dentro de uma faixa funcional, sem ultrapassar o ponto em que o corpo começa a trabalhar contra o desempenho.

O treinamento operacional de alto nível é, em grande parte, um processo de ampliar essa faixa funcional, comenta Ernesto Kenji Igarashi. Expor repetidamente o profissional a situações de estresse controlado recalibra o sistema nervoso ao longo do tempo, elevando o limiar a partir do qual a resposta de pânico se instala. Esse processo não é rápido e não pode ser simulado com exercícios teóricos.

Ernesto Kenji Igarashi
Ernesto Kenji Igarashi

Como o treinamento reconfigura a resposta automática ao estresse?

A repetição sob pressão é o mecanismo central do condicionamento operacional. À medida que uma habilidade é praticada milhares de vezes em condições que simulam o estresse real, ela migra da memória declarativa para a memória procedural: sai do campo do pensamento consciente e passa a operar no plano do reflexo. Esse deslocamento é fundamental porque libera capacidade cognitiva para as decisões táticas, enquanto os procedimentos técnicos acontecem de forma automática.

Simular pressão durante o treinamento exige muito mais do que aumentar a dificuldade dos exercícios. Exige criar condições que ativem genuinamente o estado de estresse fisiológico, como uma carga de trabalho intensa, privação de sono, desorientação situacional e, principalmente, consequências percebidas como reais para o desempenho individual. É a presença dessas variáveis que torna o treinamento transferível para contextos reais, pontua Ernesto Kenji Igarashi, especialista em segurança institucional e proteção de autoridades.

Controle emocional não é ausência de emoção

Um equívoco frequente sobre profissionais de segurança altamente treinados é a suposição de que operam sem emoção. A realidade é o oposto! Eles sentem medo, tensão e adrenalina como qualquer pessoa, mas a diferença está na relação que estabeleceram com essas sensações ao longo do treinamento. O medo passou a ser reconhecido como um sinal de alerta útil, não como um gatilho para comportamento impulsivo.

Essa distinção tem implicações práticas profundas. Um operador que teme o medo tende a suprimi-lo, o que paradoxalmente amplifica seus efeitos fisiológicos. Um operador que reconhece o medo como informação o integra à leitura da situação sem deixar que domine a resposta comportamental. Conforme frisa Ernesto Kenji Igarashi, esse processo de integração é ensinado explicitamente em programas de treinamento de elite, onde técnicas de regulação emocional fazem parte do currículo com a mesma seriedade das habilidades táticas.

A competência emocional operacional, portanto, é uma habilidade técnica como qualquer outra. Pode ser desenvolvida, mensurada e aperfeiçoada, e as organizações que investem nessa dimensão do preparo constroem equipes não apenas mais eficientes, mas também mais resilientes diante de situações que fogem ao previsto, que são, invariavelmente, as que mais importam.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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