Todo filhote de Dálmata nasce completamente branco. Wilson Bachega Junior, As famosas pintas só começam a surgir depois das primeiras semanas de vida e continuam se definindo por meses. Esse detalhe costuma surpreender quem conhece a raça apenas pelos filmes, e o entusiasta Wilson Bachega Junior lembra que ele é só a primeira de várias particularidades que um futuro tutor precisa entender.
Por trás da pelagem marcante existe um cão com necessidades bem específicas de saúde, alimentação e rotina. Algumas das dúvidas mais frequentes sobre o Dálmata ajudam a separar a imagem popular da realidade de conviver com ele.
Por que tantos Dálmatas têm problemas de audição?
A surdez congênita é a condição hereditária mais conhecida da raça. Ela está ligada aos genes responsáveis pela pelagem predominantemente branca, que também afetam células pigmentares essenciais para o funcionamento do ouvido interno. Estudos sobre o tema apontam que cerca de 30% dos Dálmatas apresentam algum grau de surdez, somando os casos em um ou nos dois ouvidos.
Um cão surdo de um lado só costuma levar vida praticamente normal. Já a surdez bilateral exige adaptação, como o treino com sinais visuais. A forma confiável de saber é o exame BAER, que mede a resposta elétrica do cérebro aos sons e pode ser feito ainda no filhote. Criadores responsáveis costumam apresentar esse resultado.
Em casa, alguns sinais merecem atenção: o filhote que não reage ao próprio nome, continua dormindo diante de barulhos fortes ou se assusta com frequência quando é tocado sem ver quem chegou. Nenhum desses comportamentos substitui o exame, mas todos justificam procurar o veterinário.
A alimentação do Dálmata é diferente?
É, e o motivo está no metabolismo. Diferentemente da maioria dos cães, o Dálmata tem dificuldade de converter o ácido úrico em uma substância mais solúvel. Com isso, elimina mais ácido úrico na urina, o que favorece a formação de cálculos urinários, principalmente nos machos.
Na prática, o cuidado envolve dieta com baixo teor de purinas, substâncias abundantes em vísceras, alguns peixes e carnes de caça. Garantir água fresca à vontade e oportunidades frequentes para urinar também reduz o risco. Além disso, Wilson Bachega Junior assinala que o veterinário pode indicar exames periódicos de urina.

Ele se adapta bem a apartamento?
Depende muito mais da rotina do que do tamanho do imóvel. A raça ficou associada às carruagens: os Dálmatas acompanhavam os veículos por longas distâncias e, mais tarde, os carros de bombeiros puxados a cavalo. Essa herança produziu um cão de enorme resistência física.
Wilson Bachega Junior observa que um Dálmata sem exercício suficiente tende a canalizar a energia em comportamentos destrutivos. Caminhadas longas, corridas acompanhadas e brincadeiras diárias são parte da manutenção básica, não um extra. Atividades que exigem atenção, como aprender comandos novos ou procurar petiscos escondidos, completam o gasto de energia e ajudam o cão a relaxar dentro de casa.
O pelo curto dá menos trabalho?
Muita gente se engana nesse ponto. O pelo é curto, mas a troca acontece o ano inteiro, e os fios finos se prendem a tecidos, sofás e roupas com facilidade. Escovações frequentes com luva de borracha ou escova de cerdas firmes reduzem bastante o volume espalhado pela casa.
Em compensação, o Dálmata dispensa tosa e não costuma precisar de banhos frequentes, já que a pelagem acumula pouca sujeira e quase não tem odor forte.
Um cão para quem gosta de companhia ativa
Somadas, essas respostas desenham o perfil de um animal que combina bem com tutores que gostam de atividade ao ar livre e estão dispostos a acompanhar a saúde de perto. O Dálmata é afetuoso, ligado à família e costuma sofrer quando passa muito tempo sozinho.
Conhecer as particularidades antes da adoção evita frustrações dos dois lados. Para Wilson Bachega Junior, é justamente essa informação que permite enxergar o Dálmata além das pintas: um companheiro atlético e sensível, que retribui com lealdade a atenção que recebe.