O Banco Central divulgou em 24 de setembro de 2026 o Relatório de Política Monetária (RPM) do terceiro trimestre, com a Selic em 13,75% ao ano. A taxa chegou a esse nível após dois cortes de 0,25 ponto percentual, aprovados nas reuniões de agosto e setembro do Comitê de Política Monetária (Copom). A decisão mais recente foi tomada no encontro encerrado em 16 de setembro, com vigência a partir do dia seguinte.
O documento apresenta um cenário de desaceleração da economia brasileira, mas ainda marcado por pressões inflacionárias. Segundo o Relatório de Política Monetária do Banco Central, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, abaixo da expansão de 1,1% registrada nos três primeiros meses do ano.
Para o Banco Central, o crescimento do PIB deve ficar em 1,8% em 2026 e em 1,4% em 2027. As projeções representam uma desaceleração em relação aos avanços de 3,4% em 2024 e de 2,3% em 2025. A avaliação indica uma atividade econômica mais moderada, em um ambiente no qual os juros continuam elevados para conter a inflação e as expectativas de preços.
Selic cai, mas continua em patamar elevado
A redução da Selic sinaliza a continuidade do processo de flexibilização iniciado pelo Copom, mas a taxa de 13,75% ainda mantém o custo básico do dinheiro em nível alto. O histórico oficial do Banco Central sobre as taxas de juros fixadas pelo Copom registra a trajetória das decisões que levaram ao patamar atual.
Na prática, a política monetária influencia as condições de crédito para consumidores e empresas. Em um ambiente de juros elevados, empréstimos, financiamentos e outras modalidades de crédito tendem a permanecer mais caros, o que pode reduzir o consumo e postergar investimentos. Ao mesmo tempo, aplicações cuja remuneração acompanha os juros básicos continuam recebendo influência direta da Selic.
Esses efeitos não ocorrem de forma imediata nem atingem todas as operações da mesma maneira. As taxas cobradas por bancos e instituições financeiras também dependem do risco de cada cliente, dos prazos, das garantias e das condições do mercado. Por isso, a redução da Selic não significa uma queda automática e uniforme dos juros para famílias e empresas.
Banco Central reduz projeção de crescimento do PIB
A desaceleração observada no segundo trimestre é um dos elementos que ajudam a explicar a projeção mais contida para a atividade econômica. O crescimento de 0,5% veio depois de uma expansão de 1,1% no primeiro trimestre, indicando perda de ritmo ao longo do primeiro semestre de 2026.
O cenário projetado pelo Banco Central combina menor crescimento com incertezas sobre a evolução da inflação, das contas públicas e do ambiente internacional. De acordo com a ata da 281ª reunião do Copom, realizada em 15 e 16 de setembro, a autoridade monetária considera necessário manter cautela diante da desancoragem das expectativas, dos riscos fiscais e das incertezas externas.
Inflação segue acima da meta e exige cautela
O RPM informa que a inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,7% em maio para 4,2% em agosto. Apesar da melhora, o índice continua acima da meta de 3%. As expectativas dos analistas para 2026 estão em 4,9%, enquanto as projeções para 2027 e 2028 são de 4,3% e 3,8%, respectivamente.
O Banco Central avalia que os preços podem voltar a acelerar até o fim do ano, especialmente em razão de uma possível alta dos alimentos. Esse risco limita o espaço para cortes mais rápidos dos juros, porque uma redução intensa poderia dificultar o processo de convergência da inflação para a meta e pressionar ainda mais as expectativas.
O quadro coloca a autoridade monetária diante de um equilíbrio delicado. De um lado, a desaceleração da atividade e o custo do crédito reforçam a discussão sobre a necessidade de juros menores. De outro, a inflação acima da meta e as expectativas elevadas exigem uma condução prudente da política monetária. A evolução desses indicadores deverá influenciar as próximas decisões do Copom sobre a Selic.