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Banco Americano Notícias > Blog > Notícias > Dados demais, entendimento de menos: O paradoxo da observabilidade moderna 
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Dados demais, entendimento de menos: O paradoxo da observabilidade moderna 

Helena Nordvik
Helena Nordvik 7 de agosto de 2026
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Rolando Bonaccorsi
Rolando Bonaccorsi

Empresas costumam medir maturidade em observabilidade pelo volume de dados coletados: quantos logs são armazenados, quantas métricas são monitoradas, quantos traces são capturados a cada minuto. Rolando Bonaccorsi, diretor de operações da Vert Analytics, expressa que esse critério está invertido, porque coletar mais dados sem capacidade de interpretá-los apenas desloca o problema de falta de visibilidade para excesso de ruído.

A observabilidade moderna se apoia em três pilares complementares: logs, que registram eventos discretos; métricas, que agregam comportamento ao longo do tempo; e traces, que acompanham uma requisição específica através de múltiplos serviços. Cada pilar responde a um tipo diferente de pergunta, e confundir essas funções costuma ser a origem de investimentos caros que não entregam a visibilidade prometida.

Logs, métricas e traces: por que nenhum substitui o outro?

Um erro recorrente em projetos de observabilidade é tratar logs como solução universal, registrando cada evento possível na esperança de que essa massa de dados responda a qualquer pergunta futura. Logs são excelentes para investigar um incidente específico já identificado, mas péssimos para detectar tendências ou anomalias em tempo real, função que pertence às métricas.

Como indica Rolando Bonaccorsi, traces resolvem um problema que nem logs nem métricas conseguem sozinhos: entender como uma requisição se comporta ao atravessar dezenas de microsserviços, identificando exatamente em qual etapa da cadeia um atraso se originou. Sistemas distribuídos modernos praticamente exigem essa capacidade, já que uma falha isolada raramente se manifesta no serviço onde efetivamente se originou.

O problema da alta cardinalidade

À medida que sistemas crescem, cresce também o número de combinações possíveis entre dimensões como identificador de usuário, região geográfica e versão de aplicação, fenômeno conhecido como alta cardinalidade. Ferramentas tradicionais de métricas, otimizadas para poucas combinações previsíveis, frequentemente não escalam bem quando essas dimensões se multiplicam, gerando custos desproporcionais ou perda de granularidade útil.

Entender esse limite técnico antes de desenhar a estratégia de instrumentação evita retrabalho custoso mais adiante. Empresas que ignoram cardinalidade no planejamento inicial costumam descobrir, meses depois, que sua ferramenta não consegue responder a perguntas específicas sobre segmentos de usuários, justamente quando essas perguntas se tornam mais urgentes.

Instrumentação como decisão de arquitetura, não detalhe operacional

Adicionar observabilidade a um sistema já em produção costuma ser mais caro e menos eficaz do que projetar a instrumentação desde o início do desenvolvimento, informa Rolando Bonaccorsi. Decisões como padronização de identificadores de correlação entre serviços parecem detalhes técnicos menores, mas determinam se a observabilidade futura será útil ou apenas mais um painel confuso.

Sendo assim, tratar instrumentação como responsabilidade exclusiva de uma equipe de plataforma, desconectada dos times que desenvolvem funcionalidades de negócio, tende a produzir dados tecnicamente corretos, mas pouco relevantes para as perguntas que importam para cada área. A instrumentação mais valiosa nasce da colaboração entre quem constrói o sistema e quem depende de entendê-lo em produção.

Da coleta de dados à cultura de investigação

Nenhuma ferramenta de observabilidade, por mais sofisticada que seja, compensa uma equipe que não desenvolveu o hábito de investigar dados antes de formular hipóteses sobre um problema. Times acostumados a adivinhar a causa de um incidente, em vez de consultar sistematicamente logs, métricas e traces disponíveis, subutilizam investimentos significativos em ferramentas de monitoramento.

As empresas de alta maturidade cultivam essa cultura de investigação através de práticas simples, como revisar dashboards antes de qualquer reunião de status operacional e exigir evidência baseada em dados antes de aceitar qualquer hipótese sobre a causa-raiz de um problema. Essa disciplina, mais do que qualquer ferramenta específica, é o que efetivamente transforma dados coletados em entendimento acionável.

A observabilidade madura não se mede pelo volume de dados armazenados, mas pela velocidade e precisão com que uma equipe consegue transformar um sinal de degradação em uma hipótese testável e, em seguida, em uma correção eficaz. Nesse quesito, Rolando Bonaccorsi resume que as empresas que investem pesado em coleta sem investir equivalentemente em capacidade de interpretação acabam com painéis impressionantes e tempos de diagnóstico que continuam decepcionantes.

Ver tudo, no sentido literal de capturar cada evento possível, está longe de significar entender o sistema. O verdadeiro ganho de observabilidade aparece quando dados certos, organizados com intenção clara, permitem que uma equipe responda com confiança à pergunta mais importante durante qualquer degradação: o que exatamente está acontecendo e onde.

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